O Pé Torto Congênito é uma deformidade que ocorre em uma ou duas crianças a cada 1000 nascimentos. Pode ocorrer nos dois pés em 50% das vezes. Existem trabalhos que mostram números ainda maiores. A causa exata é desconhecida, mas teorias relacionam alterações estruturais do pé, genética e até posicionamento intra-útero.

Antigamente o tratamento era basicamente cirúrgico, com um procedimento de grande porte realizado ao final do 1º ano de vida. Porém, além de agressivo, o tratamento não era isento de complicações e recidivas.

Hoje, existe uma técnica descrita por Ignacio Ponseti (Iowa-EUA-1963) muito menos agressiva e que pode ser empregada logo no 1º mês de vida. O pé é submetido a manipulações e gessos trocados semanalmente que promovem uma correção progressiva da deformidade. Ao final dessas trocas (geralmente 6 semanas em media) 90% dos pés necessitam de um corte no tendão de Aquiles feito em ambiente ambulatorial ou cirúrgico para complementar a correção. Após cirurgia, a criança faz uso de uma órtese ou aparelho para manter a correção do pé. 23 horas/dia nos primeiros 3 meses e 14 horas/dia até completar 3 ou 4 anos de idade. Costumo dizer aos pais que a fase do aparelho é a mais importante do tratamento, pois MANTÉM a correção do pé e diminui a chance do problema voltar. É importante incentivar a criança ao uso da órtese e fazê entender, até de forma lúdica, que faz parte de seu pijama ou de sua roupa. Sei que não é fácil, mas esse tratamento funciona e evita cirurgias maiores e mais traumáticas para a criança possibilitando uma infância saudável.